Capítulo 37.
1. Este é o início das palavras de sabedoria, que eu desejo transmitir em alta voz aos habitantes da terra. Escutai, vós Patriarcas, e vós, descendentes, as palavras santas que eu vos direi, na presença do Rei dos Espíritos!
2. Melhor seria, fossem elas transmitidas unicamente aos Patriarcas. contudo, desejamos que não fique oculto aos descendentes o início da sabedoria. Até agora, jamais tal saber foi transmitido pelo Senhor dos Espíritos, da forma como eu o recebi, através da minha visão e pelo beneplácito do Rei dos Espíritos, por quem me foi manifestada a explicação da Vida Eterna.
3. Três paráboloas foram-me concedidas, e assim levantei a minha voz para narrá-las aos habitantes da terra.
Capítulo 38.
1. A primeira parábola.
Quando a comunidade dos justos se tomar visível, e quando os pecadores forem castigados pelos seus pecados e expulsos da terra, quando o Justo aparecer diante dos olhos dos justos, cujas obras estão guardadas junto ao Senhor dos Espíritos, e quando a luz dos justos e dos escolhidos brilhar sobre a terra, onde estará então o lugar dos pecadores e onde o lugar de descanso para aqueles que renegaram o Senhor dos Espíritos? Melhor seria para eles se não tivessem nascido.
2. Quando os segredos dos justos forem desvelados, então o castigo recairá sobre os pecadores e os maus serão banidos da presença dos justos e dos escolhidos. A partir daquele tempo, os senhores da terra deixarão de ser poderosos e grandes; não mais poderão encarar os santos, porque o Senhor dos Espíritos fará brilhar a sua luz na face dos santos, justos e escolhidos.
3. Então, naquele tempo, os reis e os poderosos serão aniquilados e entregues nas mãos dos justos e dos santos. A partir daquele momento, nenhum deles poderá pedir perdão ao Senhor dos Espíritos, pois a sua vida terá chegado ao fim.
Capítulo 39.
1. Naqueles dias, descerão do alto dos céus Filhos eleitos e santos, e sua família juntar-se-á aos filhos dos homens. E, naqueles dias, Enoque recebeu escritos da ira e escritos do desespero e da perdição. "Não haverá misericórdia para com eles", disse o Senhor dos Espíritos.
2. Naquele tempo, eu fui carregado da terra por um torvelinho de vento e transportado aos confins do céu. Ali eu tive uma outra visão: a morada dos justos e os lugares de repouso dos santos.
3. Ali eu vi com os meus próprios olhos as suas moradas junto aos Anjos justos, e seus lugares de repouso junto aos Santos, e estes pediam, intercediam e rezavam pelos filhos dos homens. A justiça fluía diante deles como a água, e a misericórdia como o orvalho sobre a terra. e assim é a sua vida para todo o sempre.
4. Naquele lugar os meus olhos viam o Eleito da Justiça e da Fidelidade; a Justiça reina nos seus dias, e inumeráveis eleitos e justos estarão para sempre diante d'Ele.
5. Eu vi a sua morada sob as asas do Senhor dos Espíritos. Todos os justos e eleitos brilham diante d'Ele, como a claridade do fogo; a sua boca é cheia de palavras de bênção; os seus lábios louvam o Nome do Senhor dos Espíritos, e a Justiça nunca mais cessará diante d'Ele.
6. Ali eu desejei permanecer, e a minha alma suspirou por aquela morada.
Ali já foi outrora a minha herança, pois assim fora decidido a meu respeito diante do Senhor dos Espíritos.
7. Naqueles dias, eu glorifiquei e exaltei o Nome do Senhor dos Espíritos, com palavras benditas e cânticos de louvor, por ter sido escolhido por Ele para a missão de O exaltar e bendizer, segundo o beneplácito do Senhor dos Espíritos.
8. Os meus olhos contemplaram por longo tempo aquele lugar, e eu O exaltei e glorifiquei com as seguintes palavras: "Bendito e louvado seja Ele, desde o princípio, e por toda a eternidade". Diante d'Ele tudo persiste. Ele
sabe o que é o mundo, desde antes que este fosse criado, e conhece o que vai acontecer de geração em geração.
9. A Ti louvam Aqueles que nunca dormem; eles estão diante de tua Majestade, e Te glorificam, celebram e exaltam com as palavras: "Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Espíritos. Ele preenche a terra de espíritos".
10. E ali os meus olhos viram como todos Aqueles que não dormem, prostram-se na sua presença, louvam e dizem: "Glorificado sejas Tu e bendito seja o nome do Senhor por toda a eternidade!"
11. Então voltei o meu rosto, pois eu não conseguia mais olhar.
1. Depois disso eu vi, prostrados diante do Senhor dos Espíritos, mil vezes mil, dez mil vezes dez mil, uma multidão inumerável e incalculável.
Eu vi, e observei quatro rostos, nos quatro lados do Senhor dos Espíritos; estes eram diferentes d'Aqueles que nunca dormem. Tomei conhecimento dos seus nomes, pois foram-me comunicados pelo Anjo que estava comigo, e que me mostrava todas as coisas ocultas.
2. Eu escutei a voz daqueles quatro rostos, ao proferirem cantos de louvor diante do Senhor da Glória.
3. A primeira voz louvava sem cessar o Senhor dos Espíritos.
4. A segunda voz, segundo eu ouvia, louvava o Eleito, bem como os eleitos que se conservavam junto ao Senhor dos Espíritos.
5. A terceira voz, segundo escutei, rezava e pedia pelos habitantes da terra, intercedendo por eles em nome do Senhor dos Espíritos.
6. A quarta voz, segundo eu ouvia, afastava os demônios, não lhes permitindo o acesso diante do Senhor dos Espíritos para acusar os habitantes da terra.
7. Então eu falei ao Anjo da Paz, que ia comigo, e me mostrava todas as coisas ocultas, perguntando-lhe: "Quem são esses quatro rostos que eu vi, e cujas palavras escutei e anotei?"
8. Ele respondeu-me: "O primeiro é Miguel, o Compassivo e Paciente; o segundo, o que cuida de todas as doenças e feridas dos filhos dos homens, é Raphael. o terceiro, o que preside a todas as Forças, é Gabriel. e o quarto, que preside à penitência e à esperança dos herdeiros da vida eterna, é Phanuel".
9. Estes são os quatro Anjos do Senhor dos Espíritos, e as quatro vozes por mim ouvidas naqueles dias.
Capítulo 41.
1. Depois disso, eu vi todos os segredos do céu, e como o Reino será dividido, e como as ações dos homens serão pesadas na balança. Lá eu vi as moradas dos eleitos, bem como a dos Santos. Meus olhos viram como de lá serão expulsos todos os pecadores, que renegaram o Nome do Senhor, e como serão arrastados para fora. Lá não poderão ficar, em virtude do castigo que lhes foi imposto pelo Rei dos Espíritos.
2. Lá os meus olhos viram também, o segredo dos raios e dos trovões, os segredos dos ventos, e de como eles se distribuem nos seus sopros sobre a terra, bem como os segredos das nuvens e do orvalho. Lá eu vi de que lugares eles procedem, e como aplacam a sede da terra. Lá eu vi as câmaras fechadas, de onde se origina a distribuição dos ventos, a câmara do granizo e a câmara da neblina, bem como a nuvem, que desde os tempos antigos paira sobre a terra.
3. Eu vi as câmaras do sol e da lua, e de onde eles saem e para onde voltam, o seu retorno magnífico, e como um tem precedência sobre a outra, a sua rota admirável, e como não transgridem o seu curso, não o aumentando nem diminuindo, e como guardam entre si a fidelidade, e o juramento pelo qual se comprometeram.
4. Primeiramente avança o sol e segue o seu curso obedecendo à ordem do Senhor dos Espíritos. e grande é o seu Nome para sempre. Depois eu vi o caminho oculto e o caminho visível da lua, que naquelas paragens segue o seu curso tanto de dia como de noite. Na presença do Senhor dos Espíritos, eles se colocam um atrás do outro, agradecendo e louvando sem cessar; para eles o seu agradecimento é o descanso.
5. Pois o sol faz muitos giros, ou para a bênção ou para a maldição, e o caminho da lua é luz para os justos, mas trevas para os pecadores, em nome do Senhor, que separou a luz das trevas, dividiu os espíritos dos homens, e fortaleceu os espíritos dos justos em nome da sua Justiça.
6. Nem um Anjo nem uma Potestade poderia impedir isso, pois foi Ele quem estabeleceu para eles todos um Juiz, que os julgará na sua presença.
Capítulo 42.
1 A Sabedoria não encontrou lugar onde pudesse morar; então foi-lhe reservada uma morada no céu. Depois a Sabedoria veio morar entre os filhos dos homens mas não encontrou moradia. Assim, a Sabedoria voltou para o seu lugar, e estabeleceu a sua sede entre os Anjos.
2. Então a iniquidade saiu das suas câmaras. Ela encontrou aqueles que não deviam procurá-la e baixou entre eles, como a chuva no deserto e o orvalho na terra seca.
Capítulo 43.
1. Eu vi também outros relâmpagos e as estrelas do céu; então eu percebi como Ele chamava a todas pelo seu nome e como elas O escutavam. Então eu vi como elas foram pesadas com uma balança justa, segundo a intensidade da sua luz; vi também a profundidade dos seus espaços e o dia do seu aparecimento, e como a sua órbita provocava raios. Eu vi como suas órbitas correspondiam ao número do Anjo, e como guardavam fidelidade entre si.
2. Perguntei então ao Anjo que ia comigo, e que me mostrava os segredos: "Que significam elas?"
3. Então ele disse-me: "O Senhor dos Espíritos mostrou-te o seu significado simbólico. Elas são os nomes daqueles santos que moram na terra, e que creem constantemente no Nome do Senhor dos Espíritos".
Capítulo 44.
Vi também algo mais em relação aos relâmpagos, a forma como nascem das estrelas, convertem-se em raios, e não podem afastar-se dessa nova constituição.